30 junho, 2010

MORDAÇA

MORDAÇA

Este é o meu poema em branco,

O que gostaria de ter dito

Mas não disse,

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração,

É um grito,

De raiva, de perplexidade

De certeza,

Incertezas também,

Um poema em branco

De medo,

Receio

Um nó, no coração

De Saudade.

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração.

Mas eu sei-o,

Que um dia, escreverei

Com firmeza,

Soltarei o meu grito

Com paixão

E pelo meio, gritarei

Sem receio

                                                                          Liberdade!

             Poema: Victor Simões
                 Vídeo:  Márcia Oliveira
                 Fotografia: autor desconhecido
               



Também tomei a liberdade de aqui divulgar um poema do meu marido, um dos poucos que encontrei e que pessoalmente muito gosto, sei que escreveu muitos, rabiscados em guardanapos de papel, em folhas soltas, bocados de folhas e nunca os compilou, a maioria perdeu-os e com muita pena minha, porque até gosto do que escreve. Este post é portanto uma surpresa que lhe quero fazer e dedicar com muito carinho.


A liberdade é sem dúvida algo que custou a conquistar a muitos povos do mundo, tanto em Portugal depois de 40 anos de ditadura Salazarista, como noutros países. A história da luta pela liberdade é parte integrante da própria história da humanidade.
 "A capacidade de raciocinar e de valorizar de forma inteligente o mundo que o rodeia, é o que confere ao homem o sentido da liberdade entendida como plena expressão da vontade humana."  ( Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil )
  Atravessamos um período dificil da nossa actual história global, com o aumento do desemprego, a escalada da violência, xenofobia, guerras, terrorismo e consequente perda de liberdades. O mundo está descaracterizado, diminuição da solidariedade humana, tem-se despido da ética e moral e cada vez mais estamo-nos a tornar em seres supérfulos, mesquinhos, alheados e alienados!
O grito de alerta, é para tudo o que atrás mencionei, povos da Terra, atentai nos problemas do nosso tempo e não vos deixais enganar. Aínda há tempo de retroceder, tempo para lutar por uma sociedade fraterna, mais justa e igualitária, onde todos os homens, sejam de facto irmãos.

27 junho, 2010

NO LIVRO DA VIDA...

video


Ao livro da vida que me ofereceste
Acrescentei a tua imagem com paixão,
Encapei-o com a força com que soubeste
Transmitir-me tanto amor e união!

Folheio agora as suas páginas passo a passo
Na tentativa de recordar-te, ver-te enfim,
Lá tristemente só te vejo os traços
Mas a mensagem, essa, permanece em mim!

Apagar Pai Querido o que almejaste
Nos memorandos deste livro a quem amaste,
É tarefa impossível de conseguir...

Serei página deste livro que me deste,
Serei folha que em vida tu escreveste,
Serei capa de outro livro que há-de vir...



12/01/2009


Caros amigos e amigas,hoje trago-vos aqui este lindo poema da Ana Martins  Por ser um dos meus preferidos, mas também porque marca bem o carinho e amor dos filhos pelos pais. Numa época em que os filhos vivem num corre, corre, sem tempo para os pais, sem tempo para si próprios e sem tempo para os seus próprios filhos! Não é o que desejariamos, mas em todo o caso é assim que é, a sociedade moderna exige demais, tudo em nome de mais produtividade, rentabilidade, concorrência... enfim competição permanente. Deixando-nos esquecer, os que por nós deram o seu melhor e não retribuir o carinho que um dia tivemos! Não permitamos que nossos pais sejam votados ao abandono, demonstremos o quanto apreço e amor lhes temos, sejamos filhos presentes nas suas vidas, todos os dias


PS: título do meu blogue, foi influenciado por este poema

23 junho, 2010

Lágrima de Preta - actualíssimo em tempos de racismo emergente

Lágrima de Preta e Pedra Filosofal são os poemas que mais aprecio de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho.
Lágrima de Preta, era lido nos bancos da escola no livro de Português do ensino preparatório, ficou-me na memória e aqui o recordo e partilho com muito carinho. A mensagem anti-racismo que nos transmite o poema, cantada na voz de Adriano Correia de Oliveira é sem dúvida lindo.

Outros poemas do autor

Saiba mais sobre Rómulo de Carvalho (António Gedeão)



Poema: António Gedeão
 Lágrima de Preta
 > 



Encontrei uma preta


que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.



Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.



Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.



Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.



Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:



nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.



Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997),português, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.


Académico efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e Director do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. O dia do seu nascimento foi, em 1997, adoptado em Portugal como Dia Nacional da Cultura Científica.


«Cada um de nós tem contribuído para que as desigualdades no mundo se agravem. Quando os países mais ricos não contribuem para o desenvolvimento dos mais pobres;

- Quando adquirimos qualquer objecto olhando apenas aos preços e sem nos preocuparmos com questões como, "por quem foi feito, "aonde foi feito", "como foi feito".

- Grandes marcas que são símbolos de status, na nossa sociedade são efectivamente produzidas em países de mão-de-obra barata e até grande parte das vezes, mão-de-obra infantil permitida pela extrema carência da sobrevivência  de que se aproveitam as multinacionais ocidentais e nós mesmos. Tudo pelo egoísmo, a ganância de grandes margens comerciais e a nossa vivência das aparências.

São atitudes destas que levam a que em muitas zonas do mundo as condições de sobrevivência sejam dramáticas e a exploração do homem pelo homem uma realidade e despoletam o racismo, o ódio e a discriminação.

O racismo e outras formas de discriminação resultam de todos estes precedentes. são consequências de uma sociedade que está doente, imersa num profundo egoísmo, mergulhada na superficialidade, na aparência e na futilidade.

Podemos mudar muita coisa, e a mudança terá de começar por nós próprios, na forma como nos assumimos e respeitamos os nossos semelhantes. Um mundo melhor e mais justo, depende de cada um e começa mesmo por mim. »
 
Texto de Victor Simões meu marido.



19 junho, 2010

Homenagem a Amália Rodrigues

Amália da Piedade Rodrigues  (Lisboa, 1 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.
...leia mais sobre Amália


Casa da Mariquinhas


Amália Rodrigues





Foi no Domingo passado que passei

À casa onde vivia a Mariquinhas

Mas está tudo tão mudado

Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chão ao telhado

Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas

E há um vidro pegado e azulado

Onde via as tabuinhas
Entrei e onde era a sala agora está

À secretária um sujeito que é lingrinhas

Mas não vi colchas com barra
Nem viola nem guitarra

Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra

Na alma daquela casa

Onda às vezes petiscávamos sardinhas

Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas
As janelas tão garridas que ficavam

Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça
Com cercaduras de lata às voltinhas
E lá pra dentro quem passa

Hoje é pra ir aos penhores

Entregar ao usurário, umas coisinhas

Pois chega a esta desgraça toda a graça

Da casa da Mariquinhas

Pra terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem prás alminhas

Pois ser casa de penhor
O que foi viver de amor


É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor

E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer

Numas ginjinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas




Versos de Silva Tavares
Jornalista e poeta

16 junho, 2010

Limites do Amor













Condenado estou a te amar

nos meus limites

até que exausta e mais querendo

um amor total, livre das cercas,

te despeça de mim, sofrida,

na direção de outro amor

que pensas ser total e total será

nos seus limites da vida.

O amor não se mede

pela liberdade de se expor nas praças

e bares, em empecilho.

É claro que isto é bom e, às vezes,

sublime.

Mas se ama também de outra forma, incerta,

é este o mistério:

- ilimitado o amor às vezes se limita,

proibido é que o amor às vezes se liberta.
 
 
 
 
Autor: Affonso Romano de Sant'Anna      Blog oficial
 
Nas décadas de 1950 e 1960 participou de movimentos de vanguarda poética. Em 1962 diplomou-se em letras e três anos depois publica seu primeiro livro de poesia, "Canto e Palavra".

Em 1965 lecionou na Califórnia (Universidade de Los Angeles - UCLA), e em 1968 participou do Programa Internacional de Escritores da Universidade de Iowa, que agrupou 40 escritores de todo o mundo.
Em 1969 doutorou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais e, um ano depois, montou um curso de pós-graduação em literatura brasileira na PUC do Rio de Janeiro. Foi Diretor do Departamento de Letras e Artes da PUC-RJ, de 1973 a 1976, realizando então a "Expoesia", série de encontros nacionais de literatura.
Ministrou cursos na Alemanha (Universidade de Köln), Estados Unidos (Universidade do Texas, UCLA), Dinamarca (Universidade de Aarhus), Portugal (Universidade Nova) e França (Universidade de Aix-en-Provence).
Sua tese de doutorado abordou uma análise da poética de Carlos Drummond de Andrade, com o título Drummond, um gauche no tempo, em que faz uma análise do conceito de gauche ao longo de sua obra literária.
Foi cronista no Jornal do Brasil (1984-1988) e do jornal O Globo até 2005. Atualmente escreve para os jornais Estado de Minas e Correio Brasiliense.

14 junho, 2010

ACALANTO












Acalanto

Noite após noite, exaustos, lado a lado,


digerindo o dia, além das palavras


e aquém do sono, nos simplificamos,

despidos de projetos e passados,


fartos de voz e verticalidade,


contentes de ser só corpos na cama;

e o mais das vezes, antes do mergulho


na morte corriqueira e provisória


de uma dormida, nos satisfazemos

em constatar, com uma ponta de orgulho,


a cotidiana e mínima vitória:


mais uma noite a dois, um dia a menos.

E cada mundo apaga seus contornos

ao aconchego de um outro corpo morno.



BRITTO, Paulo Henriques. Macau. São Paulo: Companhia das Letras, 2003.

AUTOR: Paulo Henriques Brito ( Rio de Janeiro, 1951) é um poeta, professor e tradutor brasileiro.
Em 2003 lançou o livro Macau, 2004 lançou o livro de contos Paraísos artificiais e, mais recentemente, em 2007, lançou Tarde, seu novo livro de poemas.

11 junho, 2010

1º Aniversário do meu filhote mais novo


Faz hoje precisamente 1 ano, que nasceu o meu filhote mais novo, o Nuno Filipe, após uma gravidez muito conturbada, aínda assim mais calma emocionalmente que a do João Pedro. Eu estava ansiosa, tal como das anteriores vezes a ansiedade mantêm-se e fica-nos sempre a impressão de ser a primeira vez.
Anteriormente tinha perdido dois o Luizinho e uma gestação que não chegou ao fim. Mas fui compensada com duas crianças amorosas, que são a minha vida não me acalma a dor da perda do primeiro, mas sinto-me realizada e feliz pelos filhos que tenho. Por isso não consigo entender como há gente que faz mal aos filhos, como mães a nossa prioridade é protege-los de todo o mal e até dar a vida por eles.

Ao meu filhote Nuno, os parabéns por este primeiro aninho de vida.

glitters

08 junho, 2010

Charles Chaplin e a actualidade dos seus pensamentos

A ambição envenenou a alma dos homens, ergueu um muro de ódio ao redor do mundo, atirou-nos para dentro da miséria e também do ódio.

Desenvolvemos a velocidade mas nos fechamos em nós mesmos.

As máquinas que trouxeram mudanças nos deixaram desamparados.

Nossos conhecimentos nos deixaram cínicos.

Nossa inteligência nos deixou duros e impiedosos.

Nós pensamos demais e sentimos muito pouco.

Mais do que maquinaria, nós precisamos de humanidade.

Mais do que inteligência, precisamos de bondade e compreensão.

Sem estas qualidades a vida será violenta e estaremos todos perdidos.

O aeroplano e o rádio nos aproximam, e a própria natureza destes inventos demonstram a divindade do homem.

Exige uma fraternidade universal para a unidade de todos nós.

Charlie_Chaplin ( Charles Spencer Chaplin Jr.,) Nasceu a 16 de Abril de 1889 e Faleceu a 25 de Dezembro de 1977

Página oficial

03 junho, 2010

Crime Israelita - Assassinato de 19 pessoas que participavam em transporte de ajuda humanitária.


         No passado dia 31 de Maio dezanove inocentes que iam levar socorro à população sitiada de Gaza foram assassinados este é mais um crime do estado sionista. O Exército Israelita usou a força contra um grupo de ajuda humanitária, incluindo "idosos, mulheres e crianças". Saiba mais em...Público on line 
A bordo dos navios que transportavam ajuda humanitária para Gaza, que já está isolada há mais de 4 anos, seguiam deputados, políticos, intelectuais, músicos, homens de letras, jornalistas e outros, totalizando 40 nacionalidades.
 O que é de espantar é que os mesmos que aínda hoje sofrem com as memórias dos crimes praticados pelos nazis aquando da altura da 2ª guerra mundial, pratiquem eles mesmos também crimes sobre os palestinianos.
          Não venham com os argumentos de que é diferente e em nome da segurança de Israel, porque não tem cabimento, nos assassinatos de inocentes.
          O regime do apartheid imposto pelo estado judeu ao martirizado povo palestino é um crime continuado no tempo. A impunidade com que o estado judeu comete as suas infâmias só acontece devido ao beneplácito dos governos ocidentais. Estes crimes só são possíveis com a conivência das superpotências ocidentais, que fazem ouvidos moucos e olhos cegos a todas as tropelias cometidas pelo Estado Judeu.
         Sendo certo que o sofrimento do povo Judeu no passado, não é justificativa nem apologia para que inflijam aos Palestinianos o mesmo sofrimento, o mesmo só pode ser observado como praticado por neo-nazis Israelitas.
         É um dever de todos os cidadãos do mundo levantar um grito de protesto contra tais atentados de lesa humanidade.
         "Gaza é o inferno, sofremos o terror da guerra e, agora, vivemos como escravos de Israel, o povo vive como os animais", diz Manuel Mussulam, apelidado pelos palestinianos de "padre resistente".


international wiews

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Joseph Addison

"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor"




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