12 julho, 2010

POR MORRER UMA ANDORINHA, NÃO ACABA A PRIMAVERA

Queridos amigos, estando mesmo agora a dar uma vistinha de olhos pelos blogues que sigo, (cada vez mais complicado porque são muitos) comentei aínda há pouco uma blogger que expressava a sua imensa tristeza, pela eliminação do Brasil neste campeonato do mundo. Para consolo dos meus amigos e meu também, pois Portugal também ficou fora, usei a frase "por morrer uma andorinha não acaba a Primavera".Isto é, não faltarão mais oportunidades e a próxima é já em 2014 no Brasil.

Entretanto já temos Campeão do Mundo 2010 a Espanha, parabéns a todos os espanhois, no meu ponto de vista, foram os que melhor souberam gerir esta nova forma de jogar, futebol moderno tem já muito de ciência. Foram justos vencedores.
 
Gostaria de aproveitar para lhes deixar aqui um poema e uma canção, que muito contribuiram para a divulgação deste ditado popular português " por morrer uma andorinha, não acaba a primavera" é nem mais nem menos que um poema de Joaquim Frederico de Brito cantado e adaptado para um fado,  de Carlos do Carmo, por Alfredo Marceneiro (versículos).

Carlos do Carmo, pralém de ser um dos meus fadistas preferidos, é sem dúvida uma grande voz da música portuguesa reconhecida além fronteiras.
 
OBS: a letra itálico e a cheio, os versículos acrescentados do poema para adaptação para canção por Alfredo Marceneiro.





POR MORRER UMA ANDORINHA NÃO ACABA A PRIMAVERA

Se deixaste de ser minha
Minha dor
Não deixei de ser quem era
E tudo é novo
Por morrer uma andorinha ( Bis )
Sem amor
Não acaba a primavera
Diz o povo
Como vês não estou mudado
Felizmente
E nem sequer descontente
Ou derrotado
Conservo o mesmo presente (Bis)
Do passado
E guardo o mesmo passado
Bem presente
Eu já estava habituado
A este fado
A que não fosses sincera
Em teu amor
Por isso eu não fico à espera
Dos amores
De uma ilusão que eu não tinha
E nem renovo
Se deixaste de ser minha (Bis)
Minha dor
Não deixei de ser quem era
E tudo é novo
Vivo a vida como dantes
A cantar
Não tenho menos nem mais
Do que já tinha
E os dias passam iguais
Pra não voltar
Aos dias que vão distantes
De seres minha
Horas, minutos, instantes
Desta vida
Seguem a ordem austera
Com rigor
Ninguem se agarre à quimera
Sem valor
Do que o destino encaminha
E não é novo
Pois por morrer uma andorinha (Bis)
Sem amor
Não acaba a primavera
Diz o povo

07 julho, 2010

A Triste realidade de um mundo desconexado, e sem rumo! (2)




Na continuidade do meu primeiro post A Triste realidade...1, no blogue Sempre Jovens. Seguem-se estas fotografias, e o clip que não deixarão concerteza passar em consciência os alertas para as obscenidades deste mundo.
Os sheiks do Médio Oriente vivem numa constante guerra entre si, não me refiro a nada militar, mas uma guerra de egos, quem constrói o maior prédio, quem tem o maior jato, quem consegue o carro mais exótico. Aliás, nos carros é algo impressionante, a obscenidade actual é um Ferrari F599 GTB Fiorano, banhado a ouro.
Não basta ser Ferrari, tem que ser de ouro!


" Segundo um relatório da FAO (Organização da Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação ).

(...)morrem de fome, anualmente, pelo menos 5 milhões de crianças no mundo, o que dá uma média de um óbito a cada 5 segundos. Ou seja, desde que você começou a ler este parágrafo já morreram duas crianças de fome, pelo menos. Mais de vinte milhões de crianças nascem com o peso abaixo dos padrões mínimos, correndo maior risco de morte durante a infância.
As que sobrevivem, revelam incapacidade física e mental permanentes. Segundo o relatório, depois de ligeira queda na década de noventa, a fome ganhou novo impulso no início deste século. Os dados, relativos aos anos 2000-2002, demonstram que mais de 850 milhões de pessoas passam fome, 18 milhões a mais do que em 1992. “Além do sofrimento humano, que é um escândalo, a fome tem como conseqüência, também, importantes perdas econômicas”, salientou Hartwig de Haen, subdiretor da FAO, reforçando que é “incompreensível” a escassez de esforços da comunidade internacional.
A FAO esclarece que a perda da produtividade equivale a 500 milhões de dólares. “É uma ironia que os recursos necessários para enfrentar o problema da fome sejam poucos em comparação com os benefícios de investi-los nesta causa. Cada dólar investido na luta contra a fome pode se multiplicar por cinco e até por mais de vinte vezes em benefícios”, diz o texto. O fim da fome tem um custo de 30 bilhões de dólares por ano, pouco mais de 1/5 do valor comprometido, até agora, para financiar o Fundo Mundial de Luta contra a aids, a tuberculose e a malária.
Esse valor nem chega a 10% do orçamento militar anual dos EUA, que é de 450 bilhões de dólares, por exemplo.(...)" in Revista Mundo e Missão

30 junho, 2010

MORDAÇA

MORDAÇA

Este é o meu poema em branco,

O que gostaria de ter dito

Mas não disse,

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração,

É um grito,

De raiva, de perplexidade

De certeza,

Incertezas também,

Um poema em branco

De medo,

Receio

Um nó, no coração

De Saudade.

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração.

Mas eu sei-o,

Que um dia, escreverei

Com firmeza,

Soltarei o meu grito

Com paixão

E pelo meio, gritarei

Sem receio

                                                                          Liberdade!

             Poema: Victor Simões
                 Vídeo:  Márcia Oliveira
                 Fotografia: autor desconhecido
               



Também tomei a liberdade de aqui divulgar um poema do meu marido, um dos poucos que encontrei e que pessoalmente muito gosto, sei que escreveu muitos, rabiscados em guardanapos de papel, em folhas soltas, bocados de folhas e nunca os compilou, a maioria perdeu-os e com muita pena minha, porque até gosto do que escreve. Este post é portanto uma surpresa que lhe quero fazer e dedicar com muito carinho.


A liberdade é sem dúvida algo que custou a conquistar a muitos povos do mundo, tanto em Portugal depois de 40 anos de ditadura Salazarista, como noutros países. A história da luta pela liberdade é parte integrante da própria história da humanidade.
 "A capacidade de raciocinar e de valorizar de forma inteligente o mundo que o rodeia, é o que confere ao homem o sentido da liberdade entendida como plena expressão da vontade humana."  ( Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil )
  Atravessamos um período dificil da nossa actual história global, com o aumento do desemprego, a escalada da violência, xenofobia, guerras, terrorismo e consequente perda de liberdades. O mundo está descaracterizado, diminuição da solidariedade humana, tem-se despido da ética e moral e cada vez mais estamo-nos a tornar em seres supérfulos, mesquinhos, alheados e alienados!
O grito de alerta, é para tudo o que atrás mencionei, povos da Terra, atentai nos problemas do nosso tempo e não vos deixais enganar. Aínda há tempo de retroceder, tempo para lutar por uma sociedade fraterna, mais justa e igualitária, onde todos os homens, sejam de facto irmãos.

27 junho, 2010

NO LIVRO DA VIDA...




Ao livro da vida que me ofereceste
Acrescentei a tua imagem com paixão,
Encapei-o com a força com que soubeste
Transmitir-me tanto amor e união!

Folheio agora as suas páginas passo a passo
Na tentativa de recordar-te, ver-te enfim,
Lá tristemente só te vejo os traços
Mas a mensagem, essa, permanece em mim!

Apagar Pai Querido o que almejaste
Nos memorandos deste livro a quem amaste,
É tarefa impossível de conseguir...

Serei página deste livro que me deste,
Serei folha que em vida tu escreveste,
Serei capa de outro livro que há-de vir...



12/01/2009


Caros amigos e amigas,hoje trago-vos aqui este lindo poema da Ana Martins  Por ser um dos meus preferidos, mas também porque marca bem o carinho e amor dos filhos pelos pais. Numa época em que os filhos vivem num corre, corre, sem tempo para os pais, sem tempo para si próprios e sem tempo para os seus próprios filhos! Não é o que desejariamos, mas em todo o caso é assim que é, a sociedade moderna exige demais, tudo em nome de mais produtividade, rentabilidade, concorrência... enfim competição permanente. Deixando-nos esquecer, os que por nós deram o seu melhor e não retribuir o carinho que um dia tivemos! Não permitamos que nossos pais sejam votados ao abandono, demonstremos o quanto apreço e amor lhes temos, sejamos filhos presentes nas suas vidas, todos os dias


PS: título do meu blogue, foi influenciado por este poema

23 junho, 2010

Lágrima de Preta - actualíssimo em tempos de racismo emergente

Lágrima de Preta e Pedra Filosofal são os poemas que mais aprecio de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho.
Lágrima de Preta, era lido nos bancos da escola no livro de Português do ensino preparatório, ficou-me na memória e aqui o recordo e partilho com muito carinho. A mensagem anti-racismo que nos transmite o poema, cantada na voz de Adriano Correia de Oliveira é sem dúvida lindo.

Outros poemas do autor

Saiba mais sobre Rómulo de Carvalho (António Gedeão)



Poema: António Gedeão
 Lágrima de Preta
 > 



Encontrei uma preta


que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.



Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.



Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.



Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.



Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:



nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.



Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997),português, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.


Académico efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e Director do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. O dia do seu nascimento foi, em 1997, adoptado em Portugal como Dia Nacional da Cultura Científica.


«Cada um de nós tem contribuído para que as desigualdades no mundo se agravem. Quando os países mais ricos não contribuem para o desenvolvimento dos mais pobres;

- Quando adquirimos qualquer objecto olhando apenas aos preços e sem nos preocuparmos com questões como, "por quem foi feito, "aonde foi feito", "como foi feito".

- Grandes marcas que são símbolos de status, na nossa sociedade são efectivamente produzidas em países de mão-de-obra barata e até grande parte das vezes, mão-de-obra infantil permitida pela extrema carência da sobrevivência  de que se aproveitam as multinacionais ocidentais e nós mesmos. Tudo pelo egoísmo, a ganância de grandes margens comerciais e a nossa vivência das aparências.

São atitudes destas que levam a que em muitas zonas do mundo as condições de sobrevivência sejam dramáticas e a exploração do homem pelo homem uma realidade e despoletam o racismo, o ódio e a discriminação.

O racismo e outras formas de discriminação resultam de todos estes precedentes. são consequências de uma sociedade que está doente, imersa num profundo egoísmo, mergulhada na superficialidade, na aparência e na futilidade.

Podemos mudar muita coisa, e a mudança terá de começar por nós próprios, na forma como nos assumimos e respeitamos os nossos semelhantes. Um mundo melhor e mais justo, depende de cada um e começa mesmo por mim. »
 
Texto de Victor Simões meu marido.



19 junho, 2010

Homenagem a Amália Rodrigues

Amália da Piedade Rodrigues  (Lisboa, 1 de Julho de 1920 — Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.
...leia mais sobre Amália


Casa da Mariquinhas


Amália Rodrigues





Foi no Domingo passado que passei

À casa onde vivia a Mariquinhas

Mas está tudo tão mudado

Que não vi em nenhum lado
As tais janelas que tinham tabuinhas

Do rés-do-chão ao telhado

Não vi nada, nada, nada
Que pudesse recordar-me a Mariquinhas

E há um vidro pegado e azulado

Onde via as tabuinhas
Entrei e onde era a sala agora está

À secretária um sujeito que é lingrinhas

Mas não vi colchas com barra
Nem viola nem guitarra

Nem espreitadelas furtivas das vizinhas

O tempo cravou a garra

Na alma daquela casa

Onda às vezes petiscávamos sardinhas

Quando em noites de guitarra e de farra
Estava alegre a Mariquinhas
As janelas tão garridas que ficavam

Com cortinados de chita às pintinhas
Perderam de todo a graça porque é hoje uma vidraça
Com cercaduras de lata às voltinhas
E lá pra dentro quem passa

Hoje é pra ir aos penhores

Entregar ao usurário, umas coisinhas

Pois chega a esta desgraça toda a graça

Da casa da Mariquinhas

Pra terem feito da casa o que fizeram
Melhor fora que a mandassem prás alminhas

Pois ser casa de penhor
O que foi viver de amor


É ideia que não cabe cá nas minhas

Recordações de calor

E das saudades o gosto eu vou procurar esquecer

Numas ginjinhas

Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas
Pois dar de beber à dor é o melhor
Já dizia a Mariquinhas




Versos de Silva Tavares
Jornalista e poeta

16 junho, 2010

Limites do Amor













Condenado estou a te amar

nos meus limites

até que exausta e mais querendo

um amor total, livre das cercas,

te despeça de mim, sofrida,

na direção de outro amor

que pensas ser total e total será

nos seus limites da vida.

O amor não se mede

pela liberdade de se expor nas praças

e bares, em empecilho.

É claro que isto é bom e, às vezes,

sublime.

Mas se ama também de outra forma, incerta,

é este o mistério:

- ilimitado o amor às vezes se limita,

proibido é que o amor às vezes se liberta.
 
 
 
 
Autor: Affonso Romano de Sant'Anna      Blog oficial
 
Nas décadas de 1950 e 1960 participou de movimentos de vanguarda poética. Em 1962 diplomou-se em letras e três anos depois publica seu primeiro livro de poesia, "Canto e Palavra".

Em 1965 lecionou na Califórnia (Universidade de Los Angeles - UCLA), e em 1968 participou do Programa Internacional de Escritores da Universidade de Iowa, que agrupou 40 escritores de todo o mundo.
Em 1969 doutorou-se pela Universidade Federal de Minas Gerais e, um ano depois, montou um curso de pós-graduação em literatura brasileira na PUC do Rio de Janeiro. Foi Diretor do Departamento de Letras e Artes da PUC-RJ, de 1973 a 1976, realizando então a "Expoesia", série de encontros nacionais de literatura.
Ministrou cursos na Alemanha (Universidade de Köln), Estados Unidos (Universidade do Texas, UCLA), Dinamarca (Universidade de Aarhus), Portugal (Universidade Nova) e França (Universidade de Aix-en-Provence).
Sua tese de doutorado abordou uma análise da poética de Carlos Drummond de Andrade, com o título Drummond, um gauche no tempo, em que faz uma análise do conceito de gauche ao longo de sua obra literária.
Foi cronista no Jornal do Brasil (1984-1988) e do jornal O Globo até 2005. Atualmente escreve para os jornais Estado de Minas e Correio Brasiliense.

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