21 julho, 2010

Meu nome é Sara

Estimados e queridos amigos, hoje trago-vos aqui um poema que correu mundo, diz-se que o autor é português, mas não consegui confirmar, pelo que aqui fica registado como sendo desconhecido. O que parece ser certo é que correu mundo, numa campanha televisiva, contra a violência sobre crianças, não tendo passado em Portugal, vamos lá a saber porquê!

Segundo Mariana Perosi, da Univerisdade Estadual de Campinas, a violência contra crianças acontece nos mais variados estratos sociais, as agressões sofridas, sejam de ordem moral, física ou sexual, acontecem transversalmente em toda a sociedade e nos ambientes mais diversos
, desde acções de "disciplina" de escolas ou instituições de acolhimento,prespassando a família, assédio moral (intimidação e discriminação por parte dos próprios colegas e até professores), abusos em casa, de ordem física, psíquica e/ou sexual. As conseqüências na formação e na vida futura dessas crianças, a perda de autoestima, falta de perspectivas e traumas profundos, são objecto de muitas pesquisas e trabalhos académicos.
Todas essas atitudes desumanas fazem parte do quotidiano de milhões de crianças, sejam elas ricas ou pobres. "O que se verifica é que, frequentemente, se associa pobreza e maus tratos, atribuindo à condição de baixa renda acções de negligência e violência. Na realidade, famílias pobres encontram-se mais vulneráveis à denuncia, o que não significa que casos de maus-tratos sejam exclusivos desse estrato social; a questão é que, em famílias de classe média e alta é ocultado". Para a pesquisadora Zélia Maria Mendes Biasoli Alves, do Departamento de Psicologia e Educação da USP de Ribeirão Preto, em qualquer classe social a vergonha e o medo, tanto das crianças como de seus pais - no caso de o agressor ser um conjuge, parente, empregador, policial ou um líder comunitário - são fatores que ajudam a camuflar o problema."

É um flagelo do qual também fui vítima em criança, sei bem o que é sentir essa violência,o sofrimento psicológico que aínda me acompanha, quando me lembro desses momentos de terror, infligidos por quem me deveria amar. O sentimento de revolta sempre que surgem notícias de crianças vítimas da crueldade dos adultos, familiares ou não.

Por tudo isso, e para despertar consciências aqui passo este vídeo e este poema com um apelo, denuncie os abusadores sempre que tenha conhecimento de crianças mal tratadas, vítimas de violência física, psíquica , sexual ou outra. Não fique calado, não seja cumplice de um silêncio consentido.




O meu nome é ''Sara''
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis
palavras...

'Eu lamento muito!', eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
'Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!'

E finalmente ele pára, e vai para a porta,
Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é 'Sara'
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.

17 julho, 2010

CAI A NOITE...

Imagem da net


Cai a noite
Nascem as estrelas e o luar,
Lindo o céu a estrelar.
Na noite fria
Me enrosco e aconchego
Em tempo de te amar...
E amar-te-ei por toda a vida
Até a minha alma se soltar!


17/07/2010

12 julho, 2010

POR MORRER UMA ANDORINHA, NÃO ACABA A PRIMAVERA

Queridos amigos, estando mesmo agora a dar uma vistinha de olhos pelos blogues que sigo, (cada vez mais complicado porque são muitos) comentei aínda há pouco uma blogger que expressava a sua imensa tristeza, pela eliminação do Brasil neste campeonato do mundo. Para consolo dos meus amigos e meu também, pois Portugal também ficou fora, usei a frase "por morrer uma andorinha não acaba a Primavera".Isto é, não faltarão mais oportunidades e a próxima é já em 2014 no Brasil.

Entretanto já temos Campeão do Mundo 2010 a Espanha, parabéns a todos os espanhois, no meu ponto de vista, foram os que melhor souberam gerir esta nova forma de jogar, futebol moderno tem já muito de ciência. Foram justos vencedores.
 
Gostaria de aproveitar para lhes deixar aqui um poema e uma canção, que muito contribuiram para a divulgação deste ditado popular português " por morrer uma andorinha, não acaba a primavera" é nem mais nem menos que um poema de Joaquim Frederico de Brito cantado e adaptado para um fado,  de Carlos do Carmo, por Alfredo Marceneiro (versículos).

Carlos do Carmo, pralém de ser um dos meus fadistas preferidos, é sem dúvida uma grande voz da música portuguesa reconhecida além fronteiras.
 
OBS: a letra itálico e a cheio, os versículos acrescentados do poema para adaptação para canção por Alfredo Marceneiro.





POR MORRER UMA ANDORINHA NÃO ACABA A PRIMAVERA

Se deixaste de ser minha
Minha dor
Não deixei de ser quem era
E tudo é novo
Por morrer uma andorinha ( Bis )
Sem amor
Não acaba a primavera
Diz o povo
Como vês não estou mudado
Felizmente
E nem sequer descontente
Ou derrotado
Conservo o mesmo presente (Bis)
Do passado
E guardo o mesmo passado
Bem presente
Eu já estava habituado
A este fado
A que não fosses sincera
Em teu amor
Por isso eu não fico à espera
Dos amores
De uma ilusão que eu não tinha
E nem renovo
Se deixaste de ser minha (Bis)
Minha dor
Não deixei de ser quem era
E tudo é novo
Vivo a vida como dantes
A cantar
Não tenho menos nem mais
Do que já tinha
E os dias passam iguais
Pra não voltar
Aos dias que vão distantes
De seres minha
Horas, minutos, instantes
Desta vida
Seguem a ordem austera
Com rigor
Ninguem se agarre à quimera
Sem valor
Do que o destino encaminha
E não é novo
Pois por morrer uma andorinha (Bis)
Sem amor
Não acaba a primavera
Diz o povo

07 julho, 2010

A Triste realidade de um mundo desconexado, e sem rumo! (2)




Na continuidade do meu primeiro post A Triste realidade...1, no blogue Sempre Jovens. Seguem-se estas fotografias, e o clip que não deixarão concerteza passar em consciência os alertas para as obscenidades deste mundo.
Os sheiks do Médio Oriente vivem numa constante guerra entre si, não me refiro a nada militar, mas uma guerra de egos, quem constrói o maior prédio, quem tem o maior jato, quem consegue o carro mais exótico. Aliás, nos carros é algo impressionante, a obscenidade actual é um Ferrari F599 GTB Fiorano, banhado a ouro.
Não basta ser Ferrari, tem que ser de ouro!


" Segundo um relatório da FAO (Organização da Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação ).

(...)morrem de fome, anualmente, pelo menos 5 milhões de crianças no mundo, o que dá uma média de um óbito a cada 5 segundos. Ou seja, desde que você começou a ler este parágrafo já morreram duas crianças de fome, pelo menos. Mais de vinte milhões de crianças nascem com o peso abaixo dos padrões mínimos, correndo maior risco de morte durante a infância.
As que sobrevivem, revelam incapacidade física e mental permanentes. Segundo o relatório, depois de ligeira queda na década de noventa, a fome ganhou novo impulso no início deste século. Os dados, relativos aos anos 2000-2002, demonstram que mais de 850 milhões de pessoas passam fome, 18 milhões a mais do que em 1992. “Além do sofrimento humano, que é um escândalo, a fome tem como conseqüência, também, importantes perdas econômicas”, salientou Hartwig de Haen, subdiretor da FAO, reforçando que é “incompreensível” a escassez de esforços da comunidade internacional.
A FAO esclarece que a perda da produtividade equivale a 500 milhões de dólares. “É uma ironia que os recursos necessários para enfrentar o problema da fome sejam poucos em comparação com os benefícios de investi-los nesta causa. Cada dólar investido na luta contra a fome pode se multiplicar por cinco e até por mais de vinte vezes em benefícios”, diz o texto. O fim da fome tem um custo de 30 bilhões de dólares por ano, pouco mais de 1/5 do valor comprometido, até agora, para financiar o Fundo Mundial de Luta contra a aids, a tuberculose e a malária.
Esse valor nem chega a 10% do orçamento militar anual dos EUA, que é de 450 bilhões de dólares, por exemplo.(...)" in Revista Mundo e Missão

30 junho, 2010

MORDAÇA

MORDAÇA

Este é o meu poema em branco,

O que gostaria de ter dito

Mas não disse,

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração,

É um grito,

De raiva, de perplexidade

De certeza,

Incertezas também,

Um poema em branco

De medo,

Receio

Um nó, no coração

De Saudade.

Faltaram-me as palavras,

As letras,

A inspiração.

Mas eu sei-o,

Que um dia, escreverei

Com firmeza,

Soltarei o meu grito

Com paixão

E pelo meio, gritarei

Sem receio

                                                                          Liberdade!

             Poema: Victor Simões
                 Vídeo:  Márcia Oliveira
                 Fotografia: autor desconhecido
               



Também tomei a liberdade de aqui divulgar um poema do meu marido, um dos poucos que encontrei e que pessoalmente muito gosto, sei que escreveu muitos, rabiscados em guardanapos de papel, em folhas soltas, bocados de folhas e nunca os compilou, a maioria perdeu-os e com muita pena minha, porque até gosto do que escreve. Este post é portanto uma surpresa que lhe quero fazer e dedicar com muito carinho.


A liberdade é sem dúvida algo que custou a conquistar a muitos povos do mundo, tanto em Portugal depois de 40 anos de ditadura Salazarista, como noutros países. A história da luta pela liberdade é parte integrante da própria história da humanidade.
 "A capacidade de raciocinar e de valorizar de forma inteligente o mundo que o rodeia, é o que confere ao homem o sentido da liberdade entendida como plena expressão da vontade humana."  ( Profª. Dra. Léa Elisa Silingowschi Calil )
  Atravessamos um período dificil da nossa actual história global, com o aumento do desemprego, a escalada da violência, xenofobia, guerras, terrorismo e consequente perda de liberdades. O mundo está descaracterizado, diminuição da solidariedade humana, tem-se despido da ética e moral e cada vez mais estamo-nos a tornar em seres supérfulos, mesquinhos, alheados e alienados!
O grito de alerta, é para tudo o que atrás mencionei, povos da Terra, atentai nos problemas do nosso tempo e não vos deixais enganar. Aínda há tempo de retroceder, tempo para lutar por uma sociedade fraterna, mais justa e igualitária, onde todos os homens, sejam de facto irmãos.

27 junho, 2010

NO LIVRO DA VIDA...




Ao livro da vida que me ofereceste
Acrescentei a tua imagem com paixão,
Encapei-o com a força com que soubeste
Transmitir-me tanto amor e união!

Folheio agora as suas páginas passo a passo
Na tentativa de recordar-te, ver-te enfim,
Lá tristemente só te vejo os traços
Mas a mensagem, essa, permanece em mim!

Apagar Pai Querido o que almejaste
Nos memorandos deste livro a quem amaste,
É tarefa impossível de conseguir...

Serei página deste livro que me deste,
Serei folha que em vida tu escreveste,
Serei capa de outro livro que há-de vir...



12/01/2009


Caros amigos e amigas,hoje trago-vos aqui este lindo poema da Ana Martins  Por ser um dos meus preferidos, mas também porque marca bem o carinho e amor dos filhos pelos pais. Numa época em que os filhos vivem num corre, corre, sem tempo para os pais, sem tempo para si próprios e sem tempo para os seus próprios filhos! Não é o que desejariamos, mas em todo o caso é assim que é, a sociedade moderna exige demais, tudo em nome de mais produtividade, rentabilidade, concorrência... enfim competição permanente. Deixando-nos esquecer, os que por nós deram o seu melhor e não retribuir o carinho que um dia tivemos! Não permitamos que nossos pais sejam votados ao abandono, demonstremos o quanto apreço e amor lhes temos, sejamos filhos presentes nas suas vidas, todos os dias


PS: título do meu blogue, foi influenciado por este poema

23 junho, 2010

Lágrima de Preta - actualíssimo em tempos de racismo emergente

Lágrima de Preta e Pedra Filosofal são os poemas que mais aprecio de António Gedeão, pseudónimo de Rómulo Vasco da Gama de Carvalho.
Lágrima de Preta, era lido nos bancos da escola no livro de Português do ensino preparatório, ficou-me na memória e aqui o recordo e partilho com muito carinho. A mensagem anti-racismo que nos transmite o poema, cantada na voz de Adriano Correia de Oliveira é sem dúvida lindo.

Outros poemas do autor

Saiba mais sobre Rómulo de Carvalho (António Gedeão)



Poema: António Gedeão
 Lágrima de Preta
 > 



Encontrei uma preta


que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.



Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.



Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.



Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.



Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:



nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.



Rómulo Vasco da Gama de Carvalho (Lisboa, 24 de Novembro de 1906 - Lisboa, 19 de Fevereiro de 1997),português, foi um químico, professor de Físico-Química do ensino secundário, pedagogo, investigador de História da ciência em Portugal, divulgador da ciência, e poeta sob o pseudónimo de António Gedeão. Pedra Filosofal e Lágrima de Preta são dois dos seus mais célebres poemas.


Académico efectivo da Academia das Ciências de Lisboa e Director do Museu Maynense da Academia das Ciências de Lisboa. O dia do seu nascimento foi, em 1997, adoptado em Portugal como Dia Nacional da Cultura Científica.


«Cada um de nós tem contribuído para que as desigualdades no mundo se agravem. Quando os países mais ricos não contribuem para o desenvolvimento dos mais pobres;

- Quando adquirimos qualquer objecto olhando apenas aos preços e sem nos preocuparmos com questões como, "por quem foi feito, "aonde foi feito", "como foi feito".

- Grandes marcas que são símbolos de status, na nossa sociedade são efectivamente produzidas em países de mão-de-obra barata e até grande parte das vezes, mão-de-obra infantil permitida pela extrema carência da sobrevivência  de que se aproveitam as multinacionais ocidentais e nós mesmos. Tudo pelo egoísmo, a ganância de grandes margens comerciais e a nossa vivência das aparências.

São atitudes destas que levam a que em muitas zonas do mundo as condições de sobrevivência sejam dramáticas e a exploração do homem pelo homem uma realidade e despoletam o racismo, o ódio e a discriminação.

O racismo e outras formas de discriminação resultam de todos estes precedentes. são consequências de uma sociedade que está doente, imersa num profundo egoísmo, mergulhada na superficialidade, na aparência e na futilidade.

Podemos mudar muita coisa, e a mudança terá de começar por nós próprios, na forma como nos assumimos e respeitamos os nossos semelhantes. Um mundo melhor e mais justo, depende de cada um e começa mesmo por mim. »
 
Texto de Victor Simões meu marido.



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