29 agosto, 2010

Sarjeta

Há um homem sorrateiro por ruas e sarjetas.


Vivendo de lixo e piedade.

Aos trapos e resignado desafia a vergonha dos homens.

Seu rosto inexato acusa longo exílio de sentimentos.

Afetos subjugados.

No olhar, a tradução perfeita da dimensão da noite.

Sombras e sussurros!

A mente abriga a insanidade necessária,

Que o remete ao éden,

Mas um turbilhão de fúrias pagãs o faz delirar.

Não há vestígios de passado. Biografia.

Somente um livro de páginas em branco ilustra seu peito.

Penso que poderia ter sido humano.

Sei lá, quem se importa?



Há um homem com a alma em farrapos.

Desgraçado na vicissitude do longo caminho,

Onde sepultou morto os amores.

Embriagado de dúvidas, feito barco a afogar em marés turvas.

Cheirando a éter e medo.

Entorpecendo os sentidos até o vértice da tortura mental.

Trançando passos em meio à escória:

Meretrizes, pederastas, gigolôs, ladrões...

Um colecionador de desprezos.

Apenas, um monte de vísceras e ossos putrefatos.

E daí, quem se importa?



Quem se comove ao ver suas mãos fétidas e pedintes

Ou sua falta de nome?

Quem se inquieta ao passar por seu corpo inexato

Consumido de intolerância, sobre a sarjeta fria?

Quem considera, talvez,

A tragédia por trás daqueles olhos embotados?

Quem imagina o anseio que lhe existiu no peito,

Onde hoje mingua, de tuberculose e saudade?

Quem paralisa seu tempo a lhe ouvir, quem sabe,

Histórias soterradas?



Há um homem vagando em meio aos edifícios.

Há um homem sem trajes civilizados, sem convicções.

Há um homem débil, silenciando sua existência.

Há um homem atravancando a passagem, enfeando a rua,

acenando nossa culpa.

Há um homem morrendo de medo, vergonha, dor e descaso.

Há um homem morrendo!

Sei lá, quem se importa?  
                                          Autor: Ira Buscacio
 
 
           Estimados amigos é com muito gosto que aqui coloco este poema da amiga Ira Buscacio do blog Faces do Poeta, uma temática que me é cara, tratada num belo poema que expressa e denuncía a miséria, e a injustiça, produto de uma sociedade cada vez mais desenraízada dos valores humanistas.
           Até quando, iremos olhar para o lado e sómente para dentro do nosso umbigo? Sózinhos nunca conseguiremos mudar o mundo, mas juntos em uníssono podemos fazer chegar as nossas vozes mais além, na busca de um mundo melhor, mais justo e mais humano.
 
Sãozita

23 agosto, 2010

Montra da Vaidade



   Montra da Vaidade   
                                                                                                         

Num mundo de egoísmo,
milhões morrem de fome.
Em período Natalício,
passam pela montra do cinismo,
todos os caciques, com nome.
Boys, girls e outros eleitos,
que se mostram solidários,
com a pobreza e a desgraça.
Na vitrina da tristeza,
de muitos , que nada têm à mesa!
Enquanto outros, têm demais.
É na montra do cinismo,
que se vêm, os figurões.
Na tentativa de mostrar ao mundo,
a sua solidariedade.
Falsa, mas aparente!
Porque é ilusória!
Sendo na verdade,
um reflexo de ilusões...
um disfarce de emoções!
Tudo pela notariedade,
reflectida,
na montra da vaidade!

poema:  Victor Simões

in " A Voz do Povo " 1 de Janeiro de 2007

22 agosto, 2010

3º aniversário do Sempre Jovens - Parabéns

           Estimados amigos, hoje o blogue colectivo SEMPRE JOVENS , no qual também participo, comemora o seu 3º aniversário e por isso está de parabéns, uma presença assídua e constante na blogosfera com temáticas muito diversas e de interesse no âmbito da cidadania e da cultura em geral. Convido todos os meus amigos e seguidores deste meu blogue a por lá passarem, terei muito gosto nisso!







Bolo Aniversário


O champanhe para brindar com todos os meus amigos

Beijinhos

Sãozita

18 agosto, 2010

Os Emigrantes


Uma pintura óleo sobre tela de Domingos Rebelo (1891-1975) nasceu em Ponta Delgada, frequentando, em Paris, a partir de 1907, a Academia Julian. Está exposta no museu, Carlos Machado em Ponta Delgada, Açores.


           Note-se que existem actualmente dois tipos de emigrantes, os que emigraram para conseguir melhorar as condições de vida e os que emigram para se especializarem técnicamente e ou exercerem profissões de alto nível técnico e científico, para as quais não há a possibilidade de evolução em Portugal. 
            Referênciando o primeiro tipo de emigrantes,  por vezes ouvimos falar muito mal desses emigrantes, criticar a sua vaidade quando vêm à terra natal, uns porque já não falam português, outros porque tudo o que é de fora é que é bom... com tudo compreende-se que gabem o país de acolhimento, pois lá conseguiram o que aqui seria uma miragem! Portugal não lhes proporcionaria uma vida decente, nem seria nunca, a via para a concretização dos seus sonhos.
              É essa vaidade que julgo estar ímplicita e subjacente aos referidos emigrantes. Relativamente ao esquecimento da língua, uns falam a língua do país de acolhimento para mostrar que conseguiram aprender e integrar-se, outros porque querem passar-se por turistas e aínda aqueles que na tentativa de que quem os rodeia, não saibam do que falam! Em todo o caso as más línguas, revelam a chamada " dor de cotovelo ", manifestada por quem não teve a coragem de arriscar, de dar o "salto" e se mantém limitado e resignado com a vida que tem!
             Relativamente ao segundo tipo, na maioria das vezes, não nos apercebemos sequer que são emigrantes, a não ser que nos digam, emigram sobretudo pela valorização profissional e curriculum, que após o regresso os catapulta para mais altos desempenhos pela via da experiência adquirida e consequentemente também mais e melhores oportunidades.
             Tudo o que aqui referi, vem a propósito de os emigrantes, nem sempre serem bem entendidos, e acabam por ser considerados como estranjeiros no próprio país, e daí uma injustiça. Os emigrantes têm sido uma mola impusionadora da economia nacional, com o envio de remessas das suas poupanças e nota-se a sua importância no volume de depósitos efectuados. Caberia à Terra mãe, criar condições de apoio para que não esqueçam a língua materna e para que acalentem o desejo de um dia regressar. Deveria quem nos governa, criar condições de desenvolvimento e de oportunidades para que não sintamos necessidade de emigrar, ou que a isso não sejamos obrigados!
            Os emigrantes, devem ser  acarinhados, apoiados e reconhecidos, pois pelo seu suor e sacríficio, pelo que contribuem e muito, para o desenvolvimento do país. Pergunto... porque se fecham consulados por esse mundo fora? Porque não existem verbas para o ensino da língua portuguesa? Porque se retiram cada vez mais os apoios às comunidades portuguesas?
Portugal esquece os seus filhos, como quer obter o retorno? Como não quer ser esquecido?
          Com este pequeno texto, pretendo deixar um apelo de compreensão pelos nossos conterrâneos e sobretudo a ideia da sua importância, de forma a que fique bem claro que é preciso mais apoio a quem lá fora trabalha. Que os políticos não se lembrem dos emigrantes,  só aquando dos períodos eleitorais!



14 agosto, 2010

Viva a Liberdade



Viva a Liberdade

 Existem proibições

para tudo e para nada,

existem limitações,

imposições, impostos, chips...

câmeras de vigilância

e quem não concordar com o sistema

é ostracizado,

é comunista,

é processado,

é multado,

preso e condenado!

Mas eu,

enquanto o Sol brilhar,

enquanto houver amizade,

enquanto eu respirar

enquanto eu tiver voz!

Gritarei sempre...

Viva a Liberdade!"





Poema: Victor Simões
em A Voz do Povo 14-08-2010


A liberdade, é uma das nossas conquistas de Abril e devemos continuar a lutar por ela, sobretudo pelos nossos direitos, enquanto cidadãos de um Estado de Direito e Democrático. O que a meu ver será cada vez mais necessário, pois todos os dias são postos em causa por quem nos governa.

PS: Gostei muito deste poema do Victor e por isso aqui o divulgo. Quem quizer ler o texto que o precede, poderá fazê-lo no link Viva a Liberdade .



Beijinhos!
Sãozita!

12 agosto, 2010

Lili Laranjo, África em Poesia e almoço convívio

        Queridos e estimados amigos, aqui deixo um retrato da nossa amiga Lili Laranjo, do blogue África em Poesia. Um registo de amizade que nasceu para além da blogosfera. E algumas imagens destas férias com
a Lili e muitos amigos...
         Para todos um beijinho!





PS: Algumas fotos aparecem com data do ano 2007, o Victor quando lhe acabaram as pilhas da máquina, e as reintroduziu, esqueceu-se de acertar a hora... coisas de fotógrafos de trazer por casa, rsrsssss.

10 agosto, 2010

Na Casa do Ráu


As férias têm sido boas, e aqui deixo o registo de um dia na Na Casa do Ráu.Foi um dia muito bem passado, e onde foi possível conhecermo-nos para além do virtual.



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"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor"




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