17 maio, 2011

Violação

O director do FMI (Fundo Monetário Internacional), Dominique Strauss-Kahn, foi detido neste sábado em Nova York, nos Estados Unidos, por delito sexual. Segundo o jornal The New York Times, Strauss-Kahn foi formalmente acusado de atacar sexualmente uma funcionária de um hotel. Agressão sexual, sequestro e tentativa de violação (por sodomização), levaram o FBI a detê-lo 10 minutos antes de partir para Paris, no avião da Air France no aeroporto! 
Por muito mal que se diga dos EUA, neste aspecto estão muitos anos à nossa frente, em casos de tentativa e/ou violação, os criminosos são bem punidos, poderá ir até 74 anos de prisão. Em Portugal a pena vai de 3 a 10 anos, não conheço nenhum caso, que tenha sido exemplarmente punido.
            Não sei se este caso de  Dominique Strauss-Kahn é uma trama, se é verdadeiro, a ver vamos! Em todo o caso, já não seria a primeira vez, que este homem molesta alguém sexualmente, servindo-se da sua posição social e poder. Estes sujeitos, julgam-se intocáveis, são compulsivos e perdem a capacidade crítica, há que interná-los, em último instância castrá-los quimicamente para não atentarem mais contra a dignidade de alguém!

 Nem de propósito, fiquei estupefacta com a decisão do Tribunal da Relação do Porto, no caso do psiquiatra João Villas Boas, acusado de violar uma paciente grávida de 34 semanas. Os factos remontam ao Verão de 2009. O médico, de 48 anos, e com consultório privado na Rua de Gondarém, na Foz, seguia há algum tempo a paciente que sofria de depressão. Terá sido nessa altura que o psiquiatra aproveitando-se do estado emocional da mulher, de 30 anos, a violou.


No próprio dia, a mulher terá apresentado queixa contra o médico na esquadra da PSP e dali foi encaminhada para o Instituto de Medicina Legal do Porto onde efectuou exames médico-legais, tendo sido colhidos todos os indícios que pudessem comprovar a violação. A investigação da PJ levou depois alguns meses até à detenção mas foram determinantes os testes de ADN e os vestígios biológicos pertencentes ao agressor e encontrados na vítima.

Agora e segundo o Tribunal da Relação do Porto, o réu foi absolvido,  pois os actos não foram suficientemente violentos, apesar de este forçar a vítima a ter sexo com base em empurrões e puxões de cabelo.
O tribunal deu como provado os factos, que têm início com a vítima a começar a chorar na consulta e com o médico a pedir para esta se deitar na marquesa. O psiquiatra começou então «a massajar-lhe o tórax e os seios e a roçar partes do seu corpo no corpo» da paciente, como se pode ler no acórdão.

A mulher, que estava grávida e numa situação de fragilidade psicológica, levantou-se e sentou-se no sofá, tendo o médico começado a escrever uma receita. Quando voltou, aproximou-se da paciente, «exibiu-lhe o seu pénis erecto e meteu-lho na boca», agarrando-lhe os cabelos e puxando a cabeça para trás, enquanto dizia: «estou muito excitado» e «vamos, querida, vamos».

A mulher tentou fugir, mas o médico «agarrou-a, virou-a de costas, empurrou-a na direcção do sofá fazendo-a debruçar-se sobre o mesmo, baixou-lhe as calças (de grávida) e introduziu o pénis erecto na vagina, até ejacular».

Para o colectivo de juízes, o arguido não cometeu o crime de violação, porque este implica colocar «a vítima na impossibilidade de resistir para a constranger à prática da cópula». Diz o acórdão que para que tal acontecesse era preciso que «a situação de impossibilidade de resistência tivesse sido criada pelo arguido, não relevando, para a verificação deste requisito, o facto de a ofendida apresentar uma personalidade fragilizada».

O colectivo de juizes considera que o «empurrão» sofrido pela vítima por acção física do arguido não constitui «um acto de violência que atente gravemente contra a liberdade da vontade da ofendida» e, por isso, «impõe-se a absolvição do arguido, na medida em que a matéria de facto provada não preenche os elementos objectivos do tipo do crime de violação».

Mas um dos três juízes, José Manuel Papão, não concorda com a absolvição e juntou ao acórdão uma declaração de voto em que considera «que a capacidade de resistência da assistente estava acrescidamente diminuída por estar praticamente no último mês de gravidez, período em que se aconselha à mulher que na prática de relações sexuais observe o maior cuidado para evitar o risco da precipitação do trabalho de parto». in Jornal Sol

Meu Deus, em que Mundo estamos nós? Esta é uma vergonha, para um Tribunal, para um país que se diz democrático... esta é sem dúvida uma mostra da corrupção e incompetência da  Justiça Portuguesa, será que juízes destes interessam? Creio que não, há que avaliar a capacidade e idoneidade destes senhores, como reajiriam se fossem as suas mães, mulheres e ou filhas as vítimas?




Deixo-vos com um poema da poetisa Brasileira, Ivone Landim a propósito do tema Violação!

VIOLAÇÃO

Num tempo mínimo

de um tapa.

Na distância de um empurrão...

Nos gritos,

Nas injúrias,

Nos sussurros que difama...

Na penetração forçada,

Na calcinha rasgada,

No gozo da carne sacrificada.

 Ivone Baptista Landim é poeta, professora de Literatura do Ensino Fundamental e do Ensino Médio da rede pública de educação e ativista cultural da Baixada Fluminense. Participou do grupo poético Desmaio Públiko, edita o fanzine Entrelinhas e fundou em 2008 com Dida Nascimento, Marcio Rufino, Jorge Medeiros, entre outros poetas da Baixada Fluminense o grupo cultural Pó de Poesia que tem na performance poética sua principal linguagem.

01 maio, 2011

Dia das mães

          As mais antigas celebrações do Dia das Mães remontam às comemorações primaveris da Grécia Antiga, em honra de Rhea, mulher de Cronos e Mãe dos Deuses. Em Roma, as festas comemorativas do Dia da Mãe eram dedicadas a Cybele, a Mãe dos Deuses romanos, e as cerimónias em sua homenagem começaram por volta de 250 anos antes do nascimento de Cristo. Durante o século XVII, a Inglaterra celebrava no 4º Domingo de Quaresma (40 dias antes da Páscoa) um dia chamado “Domingo da Mãe”, que pretendia homenagear todas as mães inglesas. Neste período, a maior parte dos trabalhadores trabalhava longe de casa e vivia com os patrões. No Domingo da Mãe, os trabalhadores tinham um dia de folga e eram encorajados a regressar a casa e passar esse dia com a sua mãe. No Brasil, a data foi pela primeira vez comemorada a 12 de Maio de 1918, em Porto Alegre. Em 1932, sob a governação de Getúlio Vargas, era oficializada a comemoração do dia da mãe no segundo Domingo de Maio, dia feriado. Cerca de 15 anos depois, a data fazia parte do calendário oficial da Igreja Católica.

         Em Portugal,  há alguns anos atrás, o dia da mãe era comemorado a 8 de Dezembro, no dia de Nossa Senhora da Conceição, mas actualmente o Dia da Mãe é no 1º Domingo de Maio, em homenagem a Maria, Mãe de Cristo.
         Para algumas mães, sobretudo de gerações mais antigas, esta é uma data mais comercial. E preferem que a homenagem se mantenha na data inicial: 8 de Dezembro!  O Símbolo da maternidade são os cravos brancos, simbolizando a pureza, fidelidade, amor, caridade e beleza. Viajando pelo Mundo, são bem mais díspares as datas da comemoração.  Seja qual for essa data, já dizia o poeta e dramaturgo grego Sófocles que “Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida”.

FELIZ DIA DAS MÃES




  

14 março, 2011

Deolinda - Que Parva que eu sou

Hoje gostaria de aqui vos deixar um excelente vídeo dos DEOLINDA, "Que parva que eu sou", este tema foi inspirador da manifestação de 12 de Março de 2011 , é já um Hino da actual juventude, que se autodenominou "Geração à rasca". Uma excelente letra e música de intervenção.







DEOLINDA
Que Parva Que Eu Sou

Sou da geração sem remuneração.
E não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou.

Porque isto está mal e vai continuar,
Já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou.

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Sou da geração "casinha dos pais".
Se já tenho tudo, p'ra quê querer mais?
Que parva que eu sou.

Filhos, maridos, estou sempre a adiar,
E ainda me falta o carro pagar.
Que parva que eu sou.

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Sou da geração "vou queixar-me p'ra quê?",
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou.

Sou da geração "eu já não posso mais!",
E esta situação dura há tempo demais,
E parva eu não sou!

[Refrão]
E fico a pensar:
Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

Que mundo tão parvo,
Onde para ser escravo
É preciso estudar.

08 março, 2011

Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher é comemorado desde 1909, no entanto a origem do Dia da Mulher remonta ao ano de 1857, quando um conjunto de operárias revoltadas com as condições precárias de trabalho e os baixos salários, se unem para protestar decidindo fazer greve nas instalações da fábrica. Durante a greve, a fábrica sofreu um incêndio provocando a morte a 130 funcionárias.


O dia só foi tornado oficial pelas Nações Unidas muitos anos mais tarde, em 1975.  A criação de um dia das mulheres que fosse celebrado em todo o mundo foi proposto pela primeira vez  em 1910 por Clara Zetkin, professora, jornalista e política  marxista alemã. Clara é uma figura histórica do feminismo. Esta decisão, tomada na Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, foi inspirada nas manifestações e greves das operárias que tiveram lugar nos Estados Unidos da América em 1908 e 1909.O dia 8 de Março é, desde 1975, comemorado pelas Nações Unidas como Dia Internacional da Mulher.

Clara Zetkin (1857-1933) foi, com Friedrich Engels (1820-1895) e August Bebel (1840-1913), a principal teórica da «questão das mulheres» no movimento operário revolucionário alemão e internacional. Clara Zetkin lutou ao longo da vida pelo sufrágio universal, pelo direito ao divórcio e pela igualdade de oportunidades, quer no Partido Social Democrata alemão, quer no Comunista.

1909 – O primeiro dia nacional da Mulher foi celebrado nos Estados Unidos da América a 28 de Fevereiro.

Em Portugal, a primeira comemoração de que existe notícia, remonta a 1953. Apesar da proibição da ditadura, algumas dezenas de mulheres reuniram-se em Lisboa, para comemorar o Dia Internacional da Mulher. A primeira comemoração do 8 de Março em liberdade foi realizada em 1975.

A todas as mulheres do mundo, fica o meu desejo de reconhecimento pela sociedade, do papel fundamental que a mulher ocupa na extrutura da família e como tal no plano social, contribuindo para a agregação da sociedade.



Um Poema de Pablo Neruda

Elas sorriem quando querem gritar.
Elas cantam quando querem chorar.
Elas choram quando estão felizes.
E riem quando estão nervosas.

Elas brigam por aquilo que acreditam.
Elas levantam-se para injustiça.
Elas não levam "não" como resposta quando
acreditam que existe melhor solução.

Elas andam sem novos sapatos para
suas crianças poder tê-los.
Elas vão ao médico com uma amiga assustada.
Elas amam incondicionalmente.

Elas choram quando suas crianças adoecem
e se alegram quando suas crianças ganham prémios.
Elas ficam contentes quando ouvem sobre
um aniversario ou um novo casamento.

Pablo Neruda

18 fevereiro, 2011

Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida

       Estimados, queridos amigos hoje dedico este post a todos quantos visitam este meu blogue, com dois belos poemas, de Cecília Meireles, que é considerada pela crítica como poeta da segunda geração do modernismo, no entanto na sua poesia, sobressai um estilo muito próprio e uma técnica pessoal, o que a destingue e enquadra nos maiores escritores e poetas,   o segundo cantado na voz de Amália Rodrigues, com uma voz inconfundível, a rainha do fado. Dois grandes vultos da cultura Brasileira e Portuguesa duas grandes embaixatrizes da língua portuguesa.


                                                          Cecília Meireles


Pergunto-te Onde se Acha a Minha Vida

Pergunto-te onde se acha a minha vida.



Em que dia fui eu. Que hora existiu formada


de uma verdade minha bem possuída.


Vão-se as minhas perguntas aos depósitos do nada.


E a quem é que pergunto? Em quem penso, iludida


por esperanças hereditárias? E de cada


pergunta minha vai nascendo a sombra imensa


que envolve a posição dos olhos de quem pensa.


Já não sei mais a diferença


de ti, de mim, da coisa perguntada,


do silêncio da coisa irrespondida.

Cecília Meireles in 'Poemas (1942-1959)

 
Cecília Benevides de Carvalho Meireles ,( Rio de Janeiro, 7 de Novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de Novembro de 1964) foi uma poetisa, pintora, professora,  jornalista brasileira. É considerada umas das vozes líricas mais importantes das literaturas de língua portuguesa.


  Amália da Piedade Rodrigues ,( Lisboa, 1 de Julho de 1920  Lisboa, 6 de Outubro de 1999) foi uma fadista, cantora e actriz portuguesa, considerada o exemplo máximo do fado, comummente aclamada como a voz de Portugal e uma das mais brilhantes cantoras do século XX. Está sepultada no Panteão Nacional, entre os portugueses ilustres.




                                                            Amália Rodrigues





14 fevereiro, 2011

Aniversário do Blog " A casa da mariquinhas" - Mariazita

           Hoje é dia de Festa, por duas razões no Blogue " A Casa da mariquinhas", a primeira porque os netinhos, João e Miguel, fazem anos e a segunda porque o blogue comemora o 3º aniversário de permanente actividade bloguística, com execelentes textos, proporcionados pela autora Mariazita.
           Faço por isso a recomendação, para quem aínda não conhece, que visitem um blogue que merece ser visitado pelo interesse e qualidade do conteúdo.




Duplos parabéns para a Mariazita, pelo excelente espaço e lindos textos que conosco partilha, parabéns pela amizade, e pelos lindos netinhos. Que por muitos anos nos encontremos por aqui, sempre a comemorar mais um ano, com saúde, alegria, amizade. Que a Casa da Mariquinhas, seja sempre um espaço de causas.

06 fevereiro, 2011

3º aniversário do meu filhote, João Pedro

          Caros amigos, hoje fez 3 aninhos o meu filhote João Pedro, e não quis deixar passar o momento sem aqui deixar o registo, e partilhar convosco a minha alegria e felicidade. Sinto-me feliz, pelos filhos que tenho e que muito amo, os meus pequenitos são a minha vida. Agradeço a Deus pela benção de me dar os meus filhinhos, e pela possibilidade que me tem dado de os criar com todo o amor e carinho que merecem e têm direito. Para o meu Joãozinho, muitos beijos de parabéns pela passagem de mais um aniversário.

         Deixo aqui, também um texto "Em Louvor das Crianças", de um autor que me é muito querido, Eugénio de Andrade , e que muito nos faz meditar, sobretudo nos momentos que o nosso mundo atravessa, pelas crianças infelizes e que sofrem, para que a sociedade se consciencialize e se una em torno da causa das crianças.
Em Louvor das Crianças

"Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.


A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.

O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus. "

Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'

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