31 dezembro, 2010

Receita de Ano Novo


Estimados amigos e visitantes, a todos desejo UM FELIZ ANO 2011


Dedico a todos vós, este poema de Carlos Drummond de Andrade, a mensagem que nos transmite é sem dúvida uma lição de onde podemos extrair a ilação da sabedoria que norteia e emana deste grande poeta.

FELIZ ANO NOVO

Bjs 
Sãozita 

RECEITA DE ANO NOVO

Para você ganhar belíssimo Ano Novo

cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,

Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido

(mal vivido ou talvez sem sentido)

para você ganhar um ano

não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,

mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,

novo

até no coração das coisas menos percebidas

(a começar pelo seu interior)

novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,

mas com ele se come, se passeia,

se ama, se compreende, se trabalha,

você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,

não precisa expedir nem receber mensagens

(planta recebe mensagens?

passa telegramas?).

Não precisa fazer lista de boas intenções

para arquivá-las na gaveta.

Não precisa chorar de arrependido

pelas besteiras consumadas

nem parvamente acreditar

que por decreto da esperança

a partir de janeiro as coisas mudem

e seja tudo claridade, recompensa,

justiça entre os homens e as nações,

liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,

direitos respeitados, começando

pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um ano-novo

que mereça este nome,

você, meu caro, tem de merecê-lo,

tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,

mas tente, experimente, consciente.

É dentro de você que o Ano Novo

cochila e espera desde sempre.
Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.

24 dezembro, 2010

Feliz Natal



"Melhor do que todos os presentes embaixo da árvore de Natal é a presença de uma família feliz."
(Charles Dickens).

"Que neste Natal,

eu possa lembrar dos que vivem em guerra,
e fazer por eles uma prece de paz.
Que eu possa lembrar dos que odeiam,
e fazer por eles uma prece de amor.

Que eu possa perdoar a todos que me magoaram,
e fazer por eles uma prece de perdão.
Que eu lembre dos desesperados,
e faça por eles uma prece de esperança.

Que eu esqueça as tristezas do ano que termina,
e faça uma prece de alegria.
Que eu possa acreditar que o mundo ainda pode ser melhor,
e faça por ele uma prece de fé.

Obrigada Senhor
Por ter alimento,
quando tantos passam o ano com fome.
Por ter saúde,
quando tantos sofrem neste momento.
Por ter um lar,
quando tantos dormem nas ruas.
Por ser feliz,
quando tantos choram na solidão.
Por ter amor,
quantos tantos vivem no ódio.
Pela minha paz,
quando tantos vivem o horror da guerra."

Autor desconhecido

A todos os meus amigos e visitantes deste blogue, desejo um Feliz Natal, com saúde, Paz, Harmonia e amor!

Bjs

15 dezembro, 2010

Apresentação do Livro - Ave Sem Asas da Poetisa Ana Martins

          No passado Sábado dia 11 de Dezembro, tivemos mais um lançamento de um livro, desta feita é o primeiro da minha cunhada Ana Martins do blogue " Ave Sem Asas ", cujo título é o mesmo que o do blogue, esperemos que outros livros se lhe sigam, pois a Ana é de facto uma excelente poetisa.
          O evento foi um sucesso, pelo que também gostaria de aqui deixar o registo de parabéns para o meu cunhado Mário, que sem dúvida muito contribuiu para que a Ana realizasse este sonho de publicar a sua poesia em livro. Sabemos que a força e o apoio, dos amigos e familiares é e foi muito importante, perafraseando a poetisa  e escritora Mª José Areal, "muitas vezes falta-nos a coragem, para dar o primeiro passo", neste caso o Mário tudo fez para materializar este sonho, que deixou de o ser. Parabéns também para o marido extremoso e dedicado pela excelente organização do evento.
         O lançamento do livro “Ave Sem Asas”, teve lugar na Biblioteca Municipal de Fafe,  e contou com a presença do Dr. Artur Coimbra, Presidente do Núcleo de Artes e Letras de Fafe, também poeta e escritor, do Sr. Presidente da Junta de Freguesia de Fafe, José Mário Silva, e da Drª Mª José Areal, também poetisa e escritora. Foram feitas algumas declamações de poemas, pelo André Martins, Fátima Simões, Sandra Sobral, Victor Simões e Fernanda (Ná). Nos presentes encontramos também alguns bloggers amigos, Canduxa, Lisa, Álvaro e Lili Laranjo para além dos já antes referidos. Para ilustar este post, deixo-vos um clip com as fotos do também amigo e blogger José Ferreira e Victor Simões.

08 dezembro, 2010

Apresentação do Livro - No Voo de pensamentos, do poeta Álvaro Oliveira

            Caríssimos, como sabem a apresentação do livro " No Voo de pensamentos" do nosso amigo poeta e blogger, Álvaro do blogue Álvaro Oliveira - Poesias realizou-se no passado Sábado dia 4 de Dezembro no Museu Bernardino Machado em Famalicão, não quis deixar passar a ocasião sem vos trazer aqui algumas imagens do evento em que estive presente com todo o gosto. Foi uma oportunidade para felicitar o Álvaro e conhece-lo pessoalmente, pois até aqui apenas nos conheciamos da interacção permitida nos blogues.
            


As amizades virtuais, transportam-se para o plano real e este é um desses exemplos. Para quem não conhece a poesia do Álvaro, deixo a sugestão de que visitem o seu blogue  e têm também agora a oportunidade de adquirir o seu último livro, do qual extraí o poema que aqui publico.



CHORA A GUITARRA
Guitarra, chora que eu canto,
Neste meu triste recanto,
As mágoas do meu sofrer.
Choro lágrimas de pranto
E o meu corpo em quebranto,
Aos poucos sinto morrer.

Quando à noite canto o fado,
Com minha voz magoada,
De saudade e de sofrer,
Com o meu canto amargurado,
Desce em mim a nostalgia
E chora comigo a guitarra.

É um livro este meu fado,
De mágoas e de saudades,
De tristezas e agonias.
Nos versos deste meu fado,
Canto a minha desventura
E chora comigo a guitarra.
       
in: Oliveira, Álvaro - No Voo de Pensamentos,
      Cap.3 p.94, ISBN 978-989-656-101-7
      Edições Ecopy ( Portugal )

30 novembro, 2010

" Os amigos " de Camilo Castelo Branco

          Hoje escolhi trazer aqui um poema de Camilo Castelo Branco,  que é dos que mais gostei. Camilo, neste soneto , demonstrou boa dose de humor, ridicularizando os "amigos" que o abandonaram quando cegou.          É portanto uma lição de vida, que demonstra que a verdadeira amizade é aquela que não é circunstancial, mas a que se revela a todo tempo sempre presente, partilha alegrias, êxitos, tristezas e sofrimentos.
         "Amigos" de circunstância são-no na ocasião e no momento, esfumam-se e são relevados pelo tempo.
  

      " OS AMIGOS"

Amigos cento e dez, e talvez mais,

eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
tão zelosos das leis da cortesia,
que eu, já farto de os ver, me escapulia
às suas curvaturas vertebraís.

Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
que não desfez os laços quase rotos.

- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver". .
- Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco ( nasceu em Lisboa, 16 de Março de 1825 — e morreu em S. Miguel de Seíde, Famalicão 1 de Junho de 1890). Camilo foi romancista, além de cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor. Foi o primeiro escritor de língua portuguesa viver exclusivamente dos seus escritos literários e o maior romancista português do século XIX (19).

Homenagem que José Saramago, fez a Camilo Castelo Branco.
Galardoado em 1998 com o Prémio Nobel de Literatura, José Saramago deslocou-se a S. Miguel de Seide, a 28 de Fevereiro de 1999, acompanhado de sua mulher Pilar del Río, para homenagear o escritor Camilo Castelo Branco, deixando escrito no Livro de Honra da Casa de Camilo o seguinte texto:




«Na casa onde Camilo saiu da vida para entrar na eternidade do génio, venho trazer rosas. Venho também trazer o prémio que me deram, o seu valor simbólico, que Camilo merece, como provavelmente nenhum outro escritor português. Eu, aprendiz, deixo rosas ao Mestre.


José Saramago


28.Fevereiro.99»

15 novembro, 2010

Onde Você Vê! Fernando Pessoa

          Caros e estimados amigos, aproximamo-nos de mais um aniversário da morte de Fernando Pessoa,  que faleceu a 30 de Novembro de 1935, faz portanto 75 anos.  Como não queria deixar passar este momento sem o assinalar, aqui estou a vos deixar um poema que é o que mais gosto de todos quantos já
li deste ilustre poeta, escritor e grande mestre das letras.
Fernando Pessoa, nascido em Lisboa no dia 13 de junho de 1888, foi aclamado não apenas como o maior poeta português do século XX, como também figura entre os melhores do mundo.




ONDE VOCÊ VÊ!

Onde você vê um obstáculo,


alguém vê o término da viagem

e o outro vê uma chance de crescer.

Onde você vê um motivo pra se irritar,

Alguém vê a tragédia total

E o outro vê uma prova para sua paciência.

Onde você vê a morte,

Alguém vê o fim

E o outro vê o começo de uma nova etapa...

Onde você vê a fortuna,

Alguém vê a riqueza material

E o outro pode encontrar por trás de tudo, a dor e a miséria total.

Onde você vê a teimosia,

Alguém vê a ignorância,

Um outro compreende as limitações do companheiro,

percebendo que cada qual caminha em seu próprio passo.

E que é inútil querer apressar o passo do outro,

a não ser que ele deseje isso.

Cada qual vê o que quer, pode ou consegue enxergar.

"Porque eu sou do tamanho do que vejo.

E não do tamanho da minha altura."
 
Fernando Pessoa

05 novembro, 2010

Aniversário do meu Luízinho - 5 de Novembro

          Hoje é um dia sentido, o meu anjo, meu filhinho que Deus levou faria mais um aninho. Apesar de ter mais dois lindos filhos, a lembrança e a tristeza me invadem a memória e o coração, especialmente em datas que nunca mais esquecemos!
          O sentir de uma dor permanente, uma saudade e uma grande tristeza, e um vazio que ficou! A perda nunca colmatada, numa revolta perante a impossibilidade de uma cura inexistente. Luízinho era portador de uma doença rara e até hoje sem tratamento passível de cura Síndroma de Menkes!



Amor de mãe eterno - O Sonho
Homenagem ao meu amor, que há muito partiu
Luízinho um Anjo de amor ( por Marilú )

Recebi de duas amigas a Mariazita e a Marilú com muito carinho uma linda contribuição com poemas e conto que aqui publico.


COLÓQUIO NO CÉU    
por: Mariazita


No céu, os Anjos dançavam e cantavam em coro lindas melodias.
Entre eles encontrava-se um Anjinho bem pequenino, a quem todos chamavam Luizinho.
Frequentemente o Anjinho Luizinho, com suas mãozinhas pequeninas, afastava as nuvens doiradas, e punha-se a espreitar para baixo, para a Terra.

Intrigado por ver aquele Anjinho repetir tantas vezes aquele gesto, o Anjo mais velho um dia perguntou-lhe:
- Luizinho, por que olhas tanto lá para baixo? O que há lá assim de tão interessante para ver?
- Ah! Anjo Velho, tu não podes saber porque viveste sempre aqui. Foste criado pelas mãos de Deus, e nunca conheceste nada para além do Céu…
- Isso é verdade, Luizinho. Nunca saí do Céu, e cá tenho sido muito feliz.
- Mas eu também sou feliz, Anjo Velho. Só que, de vez em quando, sinto necessidade de olhar lá para baixo, para ver a minha Mãe.
- Ah! E porque sorris, Luizinho? Não tens saudades dela?
- Bem, ter saudades, eu tenho, mas quando Deus me chamou para a sua companhia… eu não podia dizer que não.

Agora, quando olho para a minha Mãe, eu sorrio para lhe enviar energia positiva. Para que ela saiba que eu não a esqueço, que estou aqui a esperá-la, mas que não quero que ela venha para junto de mim enquanto os meus irmãos não crescerem.

Eles precisam muito do seu Amor, do seu carinho, dos seus ensinamentos e do seu exemplo, para se tornarem adultos sérios e responsáveis, honestos, e dignos de, mais tarde, virem também para cá. O meu Pai ajuda-a muito nessa tarefa, mas não pode fazer tudo sozinho; a Mãe é o esteio da família, é a trave mestra, é ela que mantém o equilíbrio…

- Agora compreendi tudo, Luizinho – murmurou o Anjo Velho.

Olha, queres que te ajude a afastar essas nuvens doiradas?

- Oh! Sim, Anjo Velho, agradeço muito. Às vezes as nuvens são muito pesadas, e eu fico tão cansado!...


LUÍZINHO
por Marilú

Um Anjo se foi..........
Viestes ao mundo para a minha
vida alegrar,
mas a tua missão era tão pequenina,
eras um ser de muita luz.

Ficastes pouco tempo conosco
mas fostes tão amado,
tão querido, tão desejado.
Deus tinha outros planos
para ti,
fazias falta no céu.

Deixei-te ir... em prantos,
com o coração dilacerado,
mas estás comigo todos
os dias,
és meu anjo, minha doce e
amada lembrança,
e viverás para sempre em minha alma.

Hoje o céu está em festa,
é o teu aniversário,
anjos soprando balões,
querubins dedilhando suas
harpas,
e vejo-te feliz, a brincar.

Pequeno e doce Luizínho
anjo de amor e de
luz,
que mora no céu,
com as estrelas,
junto ao Menino Jesus.

Filho amado, um dia nos encontraremos
e vamos ficar abraçados por toda a eternidade,
e só assim abrandar ....essa .....saudade!!


O TEU MENINO VIVE
por: Mariazita


Os momentos tristes que passaste
Tens que esquecer, o dever te chama.
Que todas as lágrimas que derramaste
Sirvam para aliviar esse teu drama.

Ao céu dirige as tuas preces plenas
E lembra o tempo bom por que passaste.
Deus quis que em glórias terrenas
Tivesses os momentos que gozaste.

Há outras vidas que em teu redor
Crescem e necessitam do teu amor.
Precisas de aprender a compreendê-las.

Não lembres o último toque do sino
Pois Deus levou p’ro céu o teu menino
P’ra que o vejas sorrindo entre as estrelas.

international wiews

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Joseph Addison

"A amizade desenvolve a felicidade e reduz o sofrimento, duplicando a nossa alegria e dividindo a nossa dor"




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